Frederico Augusto Hanemann

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Frederico Augusto Hannemann foi um imigrante de nacionalidade alemã que, com outros agricultores, veio participar da florescente colonização de São Leopoldo. Contava 34 anos de idade quando aqui chegou, acompanhado de sua esposa Frederica Guilhermina e uma filha nascida a bordo do navio à vela em pleno mar, dando-lhe por isso o nome de Cosmopolitina. O navio levou três meses para chegar a Porto Alegre.

Provinha do Reino da Saxônia e foi o primeiro que chegou ao Brasil com a finalidade de se dedicar à criação de abelhas por métodos racionalizados e mais modernos da época.

Não se agradando das condições naturais da região dos Sinos, para a sua especialidade, subiu de lancha o rio Jacuí, fixando-se em Rio Pardo.

O local escolhido era repleto de matas e campestres em uma área de 180 hectares. Nele, em 1868, fundou o Estabelecimento Apícola que denominou «Fazenda Abelina».

Apresentou muitas práticas e inventos para o melhoramento e desenvolvimento da Apicultura mobilista em nosso país, destacando-se a primeira máquina Centrífuga na América, destinada para a extração do mel e aproveitamento dos favos – gaiolas para rainhas – caixas gigantes, controle de rainhas e de enxames, etc.

Sua vida foi inteiramente dedicada às suas abelhas e ao cultivo de árvores e pomares de floração melífera, (primeiros Eucaliptos nesta região, Magnólias, Jabuticabeiras, Vinhedos), ainda existentes e muitas outras espécies já desaparecidas. Daí difundiu a abelha e o sistema racional para todo o Brasil e para alguns da América do Sul.

Possuindo cultura científica descrevendo a aclimatação, as excepcionais vantagens de produção das abelhas em Rio Pardo, relativamente às da Europa, para revistas especializadas da Alemanha e da Áutria e para as Associações Científicas, com as quais colaborava assiduamente, revolucionou a apicultura européia e atraiu muitos de seus compatriotas que aqui, igualmente se dedicaram ao mesmo mister, entre eles, o notável Prof. Emílio Sebenk, com ele praticando suas já consagradas experiências de 40 anos de Apicultura Brasileira.

A Fazenda Abelina para os riopardenses e para habitantes de várias outros municípios que com suas Carretas no intenso tráfico comercial então existente, ali pousavam ou sesteavam, por ser o trânsito para a Serra, Missões ou Fronteira, era um verdadeiro Paraíso terrestre, um confortável «Paradouro» como se diria hoje.

A população Riopardense, quase toda, aos domingos passava o dia nos alegres Piqueniques, saboreando suculentos churrascos, cafés com as famosas Cucas e Milhobrotos com o Nectar das abelhas e os saborosos vinhos por ele elaborados, tanto de uva como de mel, este uma espécie de champagne que denominava Hidromel.

Também valsas e polkas eram dançadas ao bom gosto germânico, pois tanto Hannemann como os filhos, executavam instrumentos musicais.

A «FAZENDA ABELINA», foi portanto o «BERÇO» da Apicultura no Brasil, documentada cientificamente, racional, e mobilista, e onde Hannemann aclimatou, criou e difundiu a abelha européia para o território Nacional.

Frederico Augusto Hannemann naturalizou-se cidadão brasileiro perante a Câmara Municipal, prestando juramento a 2 de julho de 1884.

Segundo inúmeros testemunhos de freqüentadores da Fazenda Abelina, ainda existentes nessa cidade, além de difundir o consumo de mel, cera e vinhos, era geralmente estimado pela população, por seu temperamento alegre, expansivo e sempre solícito em servir à coletividade.

Sobre a vida, obra e objetos pertencentes e as invenções de Hannemann, existem expressivos testemunhos nos Arquivos do Museu Municipal na Associação de Apicultura desta cidade, nos Arquivos de Instituições científicas na Alemanha, recentemetente visitados, constatados e anotados pelo Prof. Bruno Schirmer de Santa Maria.

Pelos seus vastos conhecimentos correlatos de fruticultura, agricultura, fabricação de vinhos, as consultas do Governo da Província à Câmara Municipal de Rio Pardo nesses assuntos eram por ele respondidas em alemão que a Câmara mandava traduzir.

Hanneman e a esposa, viveram neste município durante 59 anos, pois ambos faleceram em 1912, com 93 e 92 anos respectivamente e estão sepultados em túmulo gêmeo no próprio campo da Fazenda Abelina, à beira da estrada para Cachoeira do Sul, distante 10 Km desta cidade.

Sua descendência hoje constituída de netos, bisnetos e tataranetos espalhados pelo Estado, muitos ainda se dedicam à apicultura, principalmente os residentes no Distrito de Rincão del Rei, neste município.

Da Fazenda Abelina, esta ainda parte da casa com o letreiro em relevo, bem como os tanques de fermentação de vinho e depósitos de mel, construídos de cimento e 80 hectares de campo já em mãos de terceiros, sem a mínima conservação do que foi aquele «Paraíso» dos homens e das Abelhas.

Neste local de tanta evocação histórica, indiscutivelmente o «BERÇO DA APICULTURA BRASILEIRA», NADA MAIS JUSTO DO QUE CONSIDERÁ-LO, «MONUMENTO NACIONAL DA APICULTURA», anexando-lhe de imediato, a criação de estudos, práticas Apícolas e Silvicultura, visando para o futuro próximo, a transformação em ESCOLA TÉCNICA DE APICULTURA, na mais aprimorada Instituição, perpetuando aquele PIONERISMO, para cujas finalidades, estamos estudando, trabalhando e promovendo gestões junto à comunidade, a estudiosos e aos Poderes públicos.

Como se vê, é mais um destacado evento econômico que nos proporcionará a História e a Tradição de Rio Pardo tão rica em exemplos de comunidade.

Esses os preponderantes motivos que levam os Apicultores do Estado a reunirem-se anualmente nesta cidade no mês de maio, por ocasião do aniversário natalício de Hannemann e o da Padroeira Universal da Apicultura – Santa Rita de Caccia – em cujos encontros o proclamaram «O patrono da Apicultura Gaúcha», propiciando igualmente, a confraternização da classe e justas promoções em benefícios do desenvolvimento a Apicultura do Rio Grande do Sul, destacando-se neste ano, a criação da Federação das Associações de Apicultura.